Mesmo com o avanço da covid-19, algumas cidades da Bahia apostam na semana do Carnaval como um período que vai contribuir para incrementar o turismo, ainda que este ano a festa não seja feriado. O Governo do Estado suspendeu o ponto facultativo, em um decreto com vigência em todo o território baiano, que deve ser seguido por todos os municípios, segundo a Casa Civil. Apenas empresas privadas têm a autonomia para definir os expedientes de seus colaboradores e se vão manter ou não o trabalho durante o Carnaval.
A preocupação é que se repitam as cenas de aglomeração vistas em destinos turísticos baianos durante os festejos de Natal e de Ano Novo. Só em Porto Seguro, entre os dias 28 de dezembro e o dia 3 de janeiro, pelo menos 70 festas irregulares foram desmobilizadas pela Polícia Militar (PM). O distrito de Trancoso se tornou notícia nacional com as diversas festas realizadas em casas de alto padrão, bares e vias públicas.
O resultado das aglomerações nas festas de final de ano foi a elevação da média móvel de casos de covid-19 na primeira quinzena de janeiro. Segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab), 15 dias após o Réveillon os casos da doença dispararam. Só a título de comparação, a média móvel de casos, que estava em torno 1,7 mil em dezembro, em 11 de janeiro já tinha saltado para 2.419 casos e em 15 de janeiro, para 2.834. Em 15 de janeiro também houve registro recorde de casos em 24 horas: 5.471.
No mesmo período, a ocupação de leitos de UTI na região Sul do Estado, onde fica Porto Seguro e Trancoso, por exemplo, estava em 90%. Como geralmente os sintomas da infecção pelo novo coronavírus demoram de 2 a 14 dias para aparecerem, o crescimento dos casos e da ocupação das UTIs na primeira quinzena de janeiro tem relação direta com as aglomerações dos festejos da virada.
Tradicionalmente, o Carnaval de Porto Seguro é um dos destinos mais procurados do país, com opções pagas e gratuitas. Segundo o decreto estadual, no entanto, em 2021 todos os festejos estão cancelados. A validade da norma que determina que nenhuma festa pode ser realizada no estado é até o dia 7 de fevereiro, mas pode ser renovada.
Moradora de Trancoso, a empresária Marcia Taliberti, dona do restaurante Maritaca, está confiante de que, pelo menos no distrito, não serão vistas cenas de aglomeração como a registrada no final do ano passado. “A polícia está atenta e coibindo festas. Mas Trancoso já não tem tradição de Carnaval. As pessoas vêm para cá nesse período justamente para descansar, fugir das festas. Não acho que vai ser a mesma linguagem do réveillon”, explica.
Atualmente, Porto Seguro tem 5,2 mil casos de covid-19 confirmados, sendo 230 destes só em Trancoso, 485 em Arraial da Ajuda e 54 em Caraíva. Por causa das aglomerações de fim de ano, a cidade também teve aumento de casos em janeiro. Só entre os dias 23 de dezembro e 5 de janeiro, 237 novos casos foram confirmados. A população de Porto Seguro é de cerca de 150 mil habitantes.
Outras cidades
Ainda no litoral baiano, outras cidades se preparam para receber mais turistas durante o Carnaval. Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura de Itacaré, uma reunião, hoje, vai oficializar que a cidade não vai ter ponto facultativo no período momesco. “Mas a gente entende que a cidade vai receber turistas nesse período, mesmo assim, e estamos nos preparando para uma ocupação significativa”, diz o órgão.
Ainda segundo a prefeitura, um dos projetos que devem ser adotados é o CarnaSocial, no qual pessoas vão se fantasiar e distribuir para turistas máscaras, álcool em gel e ensinar os protocolos de saúde. “O nosso carnaval vinha se consagrando como uma grande festa nos últimos anos. Mas agora estamos direcionados ao turismo de lazer, a céu aberto, com natureza. Festas e aglomerações são indesejadas e serão combatidas”, explicou Luiz Paulo Herculian, presidente do Conselho Municipal de Turismo.




