A Câmara aprovou na sessão da ultima terça-feira Indicação do vereador Cravinho, que defende a necessidade de implantação do Instituto Histórico de São Francisco do Conde para investigar, sedimentar e multiplicar a sua história como elemento de desenvolvimento na geração atual e sobrevivência das gerações futuras.
O vereador Cravinho sustenta a sua ideia na seguinte justificativa:
História é uma palavra que significa “conhecimento através da investigação”. A História é uma ciência que investiga o passado da humanidade e o seu processo de evolução, tendo como referência um lugar, uma época, um povo ou um indivíduo específico.
A História de São Francisco do Conde é das mais antigas, mais ricas e mais desconhecidas do Brasil. Foi pouco investigada e por isso, quase desconsiderada pelos historiadores brasileiros e internacionais! Chega a ser humilhante, por exemplo, ler a história “oficial” da independência da Bahia e constatar a brutal omissão de registros da vasta e brilhante participação de São Francisco do Conde! Um povo que não conhece o seu passado tem dificuldades de construir seu futuro!
São Francisco do Conde tem 455 anos de fundação, foi um dos maiores produtores e exportadores de açúcar do Brasil e o maior da Capitania da Bahia de Todos os Santos, desde o século 16 até a abolição da escravidão. Foi uma das raras comunidades fundadas diretamente pelos três primeiros governadores gerais do Brasil. Sua história se confunde com a história de Men de Sá, até a sua morte.
Teve participação ativa nos seus episódios econômicos, sociais e políticos do Brasil Colônia e no abastecimento da capital Colônia. Foi emancipado em 1693, juntamente com Cachoeira e Jaguaripe, os três primeiros municípios da Capitania da Bahia de Todos os Santos, somando 324 anos de emancipação política.
Foi essencial no apoio à defesa do território e protagonistas em episódios políticos como na Conjuração dos Alfaiates, na independência do Brasil e nas lutas pela independência da Bahia. Implantou a primeira escola superior de agricultura da América Latina. Foi um dos municípios mais agraciados com títulos pessoais de nobreza durante o Império.
Entretanto, esta história foi pouco investigada e, por isso, pouco foi mencionada pelos principais historiadores brasileiros, negando ao seu povo o merecido reconhecimento pelo seu passado e, principalmente, inviabilizando a exploração turística da sua rica história.
O município, um dos mais importantes até a abolição da escravidão, infelizmente não teve a oportunidade de substituir a mão de obra escrava pela mão de obra de imigrantes, como aconteceu no sul do Brasil e, por isso, seus engenhos sucumbiram. Sua economia hibernou até o advento do petróleo, e hoje, como segunda chance ou recompensa divina, é o município de maior arrecadação de impostos do País. Assim como o açúcar, o petróleo vai acabar um dia e sua economia pode vir a sustentar-se no turismo histórico e também, é claro, nas belezas deslumbrantes do seu território.
Assim, a criação de um Instituto Histórico para investigar, sedimentar e multiplicar a sua história é questão de desenvolvimento da geração atual e de sobrevivência das gerações futuras.
Motivo pelo qual apresento esta sugestão, na certeza das gerações futuras.




